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Educação para o Pensar

E_PENSARProjeto Anual

Supervisoras: Flávia Costa e Karina Menegazzo

Professora: Edna Almeida

 

Comunidade de Investigação

Uma Aventura Filosófica

 

1.Justificativa

 

O programa de “Filosofia para crianças” [1], proposto por Mathew Lipman tem como objetivo o cultivo e o fortalecimento de habilidades do pensamento, que possibilitam às crianças um pensar cuidadoso, crítico, criativo e criterioso.

 

As pesquisas desenvolvidas por Lipman demonstram que Filosofia com e para crianças –Educação para Pensar- é uma abordagem promissora para o desenvolvimento do pensar e da cidadania que visa atingir três objetivos intercomplementares:

  • Iniciação filosófica de crianças e jovens
  • Educação para pensar
  • Preparação para cidadania responsável

 

Filosofia para crianças é um programa de “Educação para o pensar”, porque:

  • Cultiva as habilidades cognitivas;
  • Incentiva o diálogo investigativo;
  • Metodologia específica, que oferece materiais de apoio aos alunos e professores;
  • Incentiva o diálogo investigativo;
  • Promove um processo de construção coletiva do conhecimento a respeito dos temas levantados;
  • Favorece o julgamento e autocorreção

Para Lipman, a filosofia como investigação dialógica surgiu no século V, e foi desenvolvida, principalmente, por Sócrates que, ao invés de apenas mostrar aos atenienses o sentido de examinar cuidadosamente a vida, por meio da discussão pública, ele instiga-os a fazer, mostra como pensar, não pensa por eles, pois considera que ninguém pode pensar por ninguém.

 

Sócrates modela a investigação intelectual para nós, ainda que se abstenha de nos impor os produtos da sua própria investigação. Admitindo a existência de uma parceria entre a teoria e a prática, não há nada que ele nos recomende como ideal sem indicar os passos pelos quais isso pode ser alcançado. Sócrates jamais diz ‘faça todas as conexões e distinções necessárias!’, pois ele sabe a inutilidade de tal ordem. Ele operacionaliza sempre que recomenda: se existe um conceito a ser descoberto – de amizade, de coragem, de amor, de beleza – então existem passos específicos e seqüenciais que podem ser dados para fazer surgir esse conceito do seu esconderijo. Nada em Sócrates é tão contagioso como a tranqüila confiança que ele exala, e aqueles para quem fala são capazes de pensar – e bem – como ele (LIPMAN, 1994, p. 12).

 

Nossa proposta é trabalhar com nossos alunos em Comunidades de Investigação, desenvolvendo comportamentos e atitudes de cooperação, respeito mútuo, interesse por objetivos comuns, avaliação crítica e autocrítica.

A Comunidade de Investigação é caracterizada pelo diálogo que é estabelecido colaborativamente com a contribuição razoada de todos os participantes. Os participantes da comunidade deverão ser capazes de se dar aos outros; falar quando acham que têm algo relevante a dizer ou quando acham que têm de trazer o diálogo de volta aos trilhos. Deverão ter a coragem e a capacidade de tentar mudar as suas mentes e manter seus pontos de viste em suspenso. Eles não deverão ficar na defensiva, mas sim encantados em estarem numa Comunidade de Investigação, cientes de que a verdade será encontrada a partir do pensamento dialógico.

Assim, Ann Sharp, afirma:

 

A Comunidade de Investigação constitui uma práxis, uma ação reflexiva em conjunto- uma maneira de agir no mundo. É um meio de transformação pessoal  e moral que inevitavelmente leva a uma mudança nos significados e valores que afetam os juízos e ações cotidianas de todos os participantes. (SHARP, Ann, 1996, p.44)

2. Objetivos

  • Desenvolver os valores e as posturas da Comunidade Investigação, destacando-a como espaço seguro para a exposição de idéias, críticas, análises, conceitos, interpretações, juízos e argumentações;
  • Despertar o espírito crítico-filosófico, estimulando o debate e o raciocínio;
  • Integrar o exercício do pensamento com o aspecto ético, despertando valores como fraternidade, justiça, solidariedade, não-violência;
  • Incentivar a participação ativa de todos os alunos, estimulando um ambiente democrático na escola. 

 

3. Habilidades e competências

 

  • Capacidade de investigar, problematizar, criticar e construir pensamentos, posturas e posições;
  • Pensar, refletir e criar soluções mediante a realidade vivida;
  • Compreender os valores que constituem as relações entre as pessoas

 

4. Metodologia

4.1. Preparação

  • As turmas serão divididas em dois grupos;
  • Os encontros acontecerão semanalmente com cada grupo em uma sala apropriada;
  • Cada aluno possuirá um caderno para registros de aula;
  • A sala de aula será um lugar onde todos se sentirão livres para fazer qualquer pergunta ou afirmação, observando os princípios do respeito e da valorização do outro;
  • Serão utilizados recursos como : novelas filosóficas, livros paradidáticos jogos, dinâmicas, TV, vídeos e outros;
  • Vivências com diversas formas de texto

 

4.2 Dinâmicas de trabalho em sala

  • Atividade prévia (vivências, jogos, brincadeiras, técnicas de relaxamento, dramatizações)
  • Leitura de textos (novelas filosóficas, histórias, poemas);
  • Problematização do texto com uso de perguntas e plano de discussão;
  • Discussão filosófica: prática dialogada para troca de opiniões;
  • Atividade posterior à discussão (memórias)

 

4.2 Apresentação dos textos

 

  • Serão feitos com técnicas de leituras individuais e em grupo;
  • Através de dramatização, teatro de marionete
  • Leitura participativa
  • Mímica, exploração dos sentidos
  • Leitura de imagens
  • Contação da história

 

4.3 Problematizando o texto

 

  • Considerar os aspectos levantados pelos alunos
  • Coordenar a elaboração das questões (Perguntas)
  • Utilizar estratégias de diálogo para fazer a correções das perguntas: Você acha que esta palavra está bem empregada? Não seria mais claro se passarmos estas palavras do começo para o fim e aquelas do fim para o começo? Podemos ajudar o colega a encontrar alguma pergunta usando essas palavras interessantes que chamam a atenção dele?
  • A pergunta filosófica é aberta, fundamentada, controversa, problemática;

 

4. 4 Discussão filosófica

  • Troca de opiniões sobre as idéias e conceitos filosóficos
  • Explorar o sentido do que se diz e por que se diz;
  • Postura Socrática pela busca compartilhada do questionamento e da investigação;
  • Desenvolvimento das habilidades de investigação (formular, observar, narrar, supor, imaginar, selecionar) e habilidades de formação de conceitos (classificar, esclarecer, definir, agrupar, fazer conexões)

 

4.5 Atividade posterior a discussão

 

  • Memória dos principais problemas abordados e das estratégias utilizadas;
  • Memórias, através de desenhos, pinturas, trabalho com argila, expressões artísticas 
  • Representação e expressão; 
  • Caderno de perguntas 

 

4.6 Ambientes de trabalho

 

  • Comunidade de investigação
  • Pátio
  • Praça

 

5.  Avaliação

 

  • Será processual, verificada a partir da análise das atividades sínteses;
  • 1ª e 2ª série será colocado mensagens e observações no caderno;
  • 3ª 4ª série serão avaliadas as produções individuais e grupais e será dado conceitos trimestralmente

6. Público alvo

 

  • Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série

 

7. Carga horária

 

  • 1 hora/aula de 40 min. por semana com cada turma

 

8. Referências bibliográficas

 

  1. Sharp, Ann M. A. A Comunidade de Investigação e a Educação para o Pensar. São Paulo. : Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças, 1996.
  2. Kohan, Walter Omar; Wesnsch, Ana Míriam . Filosofia para crianças. V. 1, Ed. Vozes, 1998. A tentativa Pioneira de Matheu Lipman

 

 


[1] O ensino de filosofia para crianças gera interesse há mais de três décadas. No Brasil, a experiência é mais recente, mas acaba de atingir a maioridade: fez 18 anos. A atividade envolve 15 mil educadores, espalhados por mais de mil escolas públicas e privadas de todas as regiões do país.

O pioneiro dessa pedagogia é o filósofo norte-americano Matthew Lipman, 79, que se dedica ao assunto desde o final dos anos 60. Ele elaborou o método e o material didático de uma proposta educacional e fundou uma entidade para divulgá-la e implantá-la no mundo. Hoje, o método é adotado em mais de 30 países. (http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u120.shtml)